IDOLATRIA OU CRISTIANIZAÇÃO?
LEVENTIS Nikolaos
tradução de monja Rebeca (Pereira)
Neopaganismo
Nos últimos anos, houve um renascimento de costumes pagãos e uma recorrência da doença do paganismo. Muitas pessoas apresentam surtos de um conjunto de sintomas contra a fé cristã, o progresso histórico da Igreja, a tradição ortodoxa, sua cultura e arte, e até mesmo contra o racionalismo, como o entendem erroneamente. Chegam ao ponto de culpar a Igreja Primitiva pelo declínio do paganismo, esquecendo os longos anos de encontro entre ela e a Igreja, o declínio dos centros intelectuais do pensamento pagão, a exposição da vacuidade dos ídolos e das obsessões pagãs. Também optam por não se lembrar da enorme contribuição dos grandes Padres da Igreja para a preservação e o desenvolvimento de elementos valiosos do conhecimento e da literatura pré-cristã. O Padre Epifanios Theodoropoulos escreve que: "para que todo o absurdo escrito contra o Cristianismo seja expurgado, as montanhas precisarão se tornar cérebros, as árvores, canetas, o mar, tinta e o papel comum". Sob a influência da internet, dos chamados "documentários" e de uma educação superficial, as pessoas optam por desperdiçar seu tempo, recusando-se a aceitar a inferioridade intelectual, moral e espiritual do passado pagão que estão meio que redescobrindo.
Culto ao Conhecimento
A idolatria das ciências exatas, naturais e da tecnologia, e a abordagem reverencial às suas conquistas e ao racionalismo. O Padre Epifanios nos fornece algumas respostas: “a) em essência, as ciências naturais descrevem e formulam. Elas não explicam; b) Não estou dizendo para não investigarem. Apenas estou dizendo para chegarem a algum tipo de conclusão; c) o que nos impede de crer não é a razão, é o pecado; d) as leis espirituais nos fazem pagar se as quebrarmos”. “Uma forma de curiosidade é boa: aquela associada à pesquisa científica”. Como pessoas, temos limites em relação ao divino, visto que somos criados, não o Criador. Infelizmente, ou aprendemos com nossos erros ou permanecemos blasfemadores impenitentes, pecando conscientemente para adquirir autoconfiança.
Culto à Personalidade
A elevação da pessoa (cientistas, artistas, clérigos e assim por diante) à posição de ídolo quando suas ideias nos encontram em total concordância com elas, especialmente quando encorajam nossa pecaminosidade. É típico que tais pessoas sejam chamadas de "deuses", embora o próprio Deus seja bastante claro sobre o assunto: "Não terás outro Deus além de mim" (Êx 20, 3). Qualquer coisa que seja adorada como "deus" além da Santíssima Trindade é um ídolo.
Culto ao Ego
Idolatria e auto-adoração. Não é por acaso que, hoje em dia, o ramo da psicoterapia está florescendo, visto que milhares de pessoas estão continuamente ocupadas consigo mesmas. Muitos dos casos de pessoas em psicoterapia sofrem, na verdade, de tendências narcisistas. A psicoterapia não ortodoxa reforça uma forma individualista de pensar e agir, de modo que as pessoas se tornam egocêntricas e não centradas na comunidade. Elas fazem demandas insaciáveis por felicidade e direitos. Se o que é pecado para os cristãos (fornicação, roubo, assassinato, aborto e assim por diante), para os egocêntricos, que querem fazer e desfrutar dessas coisas, é seu direito viver feliz e livremente, porque seu eu é o centro do mundo, eles o adoram e não se interessam por mais nada. Uma afirmação típica é: "Não temos nada neste mundo além de nós mesmos". E Deus? Deus não é um apoio, um companheiro, um apoio? Sem Deus e um destino, as pessoas são seres com prazo de validade. E, no entanto, embora cultivem a importância do corpo, não o apreciam devidamente. Aquilo que é criado se enfraquece quando se deifica e se adora. Além disso, as pessoas são membros da Igreja como um todo (isto é, o corpo dos fiéis, a comunidade de pessoas) e de toda a criação. Como pessoas, temos a oportunidade de desenvolver um relacionamento pessoal com Deus (no sentido teológico de "pessoas", não de "indivíduos").
Culto as mulheres
A idolatria da mulher como sexo superior ao homem. Mas Deus nos criou "à sua imagem, homem e mulher" (Gn 1, 27), portanto, qualquer diferenciação em termos de humanidade ou valor é inadmissível. O texto bíblico toca diretamente na igualdade dos sexos e em nosso valor comum. A essência humana [hipóstase] é uma e a mesma, portanto ninguém é superior ou inferior a ninguém. Como observa São Paulo: "Não há homem nem mulher, pois todos vós sois um em Cristo Jesus" (Gl 3, 28). Portanto, desrespeitar a "imagem" implica desrespeito a Deus, o Criador da Imagem. A elevação do sexo feminino acima do masculino – e o inverso, obviamente – é uma distorção da visão cristã do ser humano.
Culto de animais
A idolatria dos animais como uma categoria superior de criação irracional. No que diz respeito à adoração de animais, o amor irracional ou excessivo por eles, muitas vezes maior do que o encontrado entre as próprias pessoas, leva à idolatria dos animais (para usar o termo bíblico). Os animais fazem parte da criação, e é por isso que merecem nosso amor e respeito, mas não são superiores ao restante da criação, muito menos que os seres humanos, que são a coroa da Criação divina. Somos chamados a amar o Criador acima de tudo (Mt 22, 36-38), a quem os seres irracionais e racionais devem sua existência e a quem devemos prestar o cuidado e o amor que lhes são devidos. A veneração a Deus é a premissa para o respeito genuíno e efetivo pelas outras pessoas e pelo restante da criação.
Por que existem tendências pagãs hoje?
Somos instruídos a aceitar Deus e nossa inferioridade em relação a Ele. Aceitar Deus envolve: aceitar os limites predeterminados para nossas atividades; ter Deus como nosso ponto de referência; cessar de pensar e agir egoisticamente e de deificar a nós mesmos; abster-se de fazer ídolos vãos; cessar de analisar a verdade; abandonar comportamentos e modos de pensar baseados em Babel; e lutar para derrotar o domínio do pecado. Quanto mais tempo as pessoas permanecerem escravizadas à influência demoníaca (que as coloca frente a frente com suas paixões) e aos pensamentos demoníacos (que distorcem a verdade), elas precisarão de ídolos. O abandono de nós mesmos (Mt 16, 24) e das coisas do mundo, na medida em que estas se opõem a Deus (Tg 4, 4), é a única maneira de derrotar as tendências pagãs de uma vez por todas. Somos chamados a decidir se queremos idolatrar ou cristianizar nossa vida e realidade diária; se as enchemos de ídolos ou as tornamos repletas de Cristo.
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