UM GRITO DE AGONIA E SOLIDÃO: "NÃO TENHO HOMEM ALGUM!"

  KARAVIDOPOULOS Ioannis  
tradução de monja Rebeca (Pereira)



A solidão muitas vezes não é a ausência de pessoas, mas também a presença de muitos em nossa vizinhança que são indiferentes e focados em si mesmos, em seus problemas.

A queixa de um paralítico há 38 anos, contada na história do Evangelho de João (5: 1-15), é realmente chocante: “Não tenho homem algum que, quando a água é agitada, me coloque no tanque; mas, enquanto eu vou, desce outro antes de mim". Ele não reclama de sua doença de longa duração, mas porque está desamparado e sozinho. Suas palavras são um grito de dor e tormento por causa de sua solidão e têm valor atemporal, pois ainda hoje, apesar de muitas mídias e redes de telecomunicações, muitas pessoas se sentem solitárias. Muitas pessoas não encontram o vizinho próximo a elas quando precisam.  A queixa do paralítico é um grito de agonia de muitas pessoas de nosso tempo. Se a nossa fé é apenas uma relação vertical com Deus e não tem uma dimensão horizontal de encontro com o próximo, quando ele realmente precisa de nós, então devemos nos perguntar seriamente se essa fé é verdadeira e real.

Embora ninguém tenha sido encontrado para ajudar a pessoa paralisada na história, a ajuda ainda vem da maneira mais drástica, eficiente e autêntica. Aquele que Se fez homem não nos revelaria apenas Quem é Deus, mas também Quem é - mais precisamente, Quem (o que) deveria ser - um verdadeiro homem. Um versículo no domingo no Serviço de Vésperas do Paralítico nos revela as palavras de Cristo: "Tornei-Me homem para ti, vesti o Meu corpo para ti e tu dizes que não tenho homem: toma a tua cama e anda" Cristo cura os enfermos de maneira autêntica. “Senhor”, diz a glória em louvor, “o banho não cura o paralítico, mas a Tua palavra o renova”.

Assim como a palavra criadora de Deus criou o mundo do nada (conforme a descrição do livro do Gênesis), a palavra poderosa do Filho de Deus replica e renova a criatura destruída pelo pecado e pela doença. Além disso, a palavra poderosa dos discípulos de Jesus, no sermão apostólico lido naquele dia (Atos 9: 32-42), mais precisamente sobre a invocação do Nome de Jesus por Seu discípulo Pedro, curou o paralítico, de oito anos, Enéias em Lida da Palestina e ressuscita Tavita (que traduzido significa cervo), em Joppe.

A palavra de Cristo vivifica, é vivificante. Basta que a pessoa acolha esta palavra autêntica com fé e confiança, que é diferente das palavras humanas. A palavra de Cristo não ataca, mas ajuda, não destrói, mas cria, dá vida e ressurreição. “Na verdade, na verdade vos digo que quem ouve a Minha palavra e crê naquele que Me enviou tem a vida eterna e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida.” (Jo 5:24)

Essas palavras divinas "permanecem para sempre", sem mudar ou enfraquecer com o tempo e perder sua importância. Pois a esperança de vida e a vitória sobre a morte continua sendo o desejo eterno dos homens, não afetado pelo progresso técnico ou pelo desenvolvimento cultural, que torna o homem um prisioneiro ainda maior de seus próprios assuntos e o deixa desamparado diante das necessidades mais profundas de seus semelhantes e de si mesmo. Na infinidade de confortos e máquinas que tornam a vida mais fácil fora, a ausência de parentes, companheiros e ajudantes é facilmente determinada.

É realmente estranho como as pessoas costumam aceitar as palavras de Deus. Os líderes religiosos judeus da nossa história estão indignados, porque Jesus fez um milagre no dia de sábado e pediu ao doente que se levantasse, se deitasse e voltasse para casa curado após 38 anos de doença! Com sua mentalidade tacanha, os representantes religiosos ficaram presos na letra da Lei e não viram o Espírito de Deus revelado por Cristo à humanidade. Eles acreditavam que todo o sistema religioso de provisões legais e proibições estava entrando em colapso, justamente quando Jesus ofereceu amor e vida a um homem sofredor.

Em um mundo formado por pessoas deformadas pela doença e pelo pecado, por um lado, e líderes religiosos da época, por outro, caracterizado pela tirania tacanha na esfera da vida religiosa e pela negação da origem divina de Jesus, Deus revelou a si mesmo não como quem pune e julga a todos, mas como Salvador que tudo resgata da doença, liberta das leis murchas, dá vida aos homens e aquece a esperança da ressurreição, pois o próprio Filho de Deus vence a morte com a Sua morte e triunfos sobre as forças de decadência e destruição.

Nestes três pontos principais da passagem do Evangelho de hoje, podemos ver como Cristo está invertendo o curso da humanidade:

 1.   Ele corrige a natureza humana distorcida que leva à ruína, destruição e morte, devolvendo-a ao curso de vida que leva ao mundo da ressurreição.

2.   Liberta da consagrada observância desumana da letra da Lei, revelando o amor de Deus pelo homem e o mandamento do amor de cada homem pelo próximo.

3.    Ele dá a palavra da verdade que, apesar das frequentes mentiras humanas, testemunha, no entanto, o verdadeiro poder divino. Quem acredita em suas palavras vence a morte e já desde agora entra no reino da vida real, divina e infinita. Ele Se tornou o homem que o paralítico tanto procurava. Ele Se tornou um homem para todos que precisavam d´Ele.

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