segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Os fundamentos teológicos da ética cristã



(...) Deus é o Alfa e o Ômega da vida humana, O Criador, o Redentor e a Realização última de toda existência pessoal. Toda pessoa é criada à imagem e semelhança de Deus (Gn.1,26-27). Toda pessoa sem exceção é apta à santidade e à teosis ou deificação: uma plena e eterna participação às energias divinas ou atributos divinos. É por esta razão que a Tradição Cristã põe tão fortemente o acento sobre o caráter sagrado da vida humana. Este caráter sagrado, uma vez ainda, tem sua origem em Deus e é concedido como uma pura expressão de Seu Amor (...) é Dom: o Dom da Vida própria de Deus e de Sua Santidade, que nos foi conferida independentemente de todo o mérito, valor ou realização pessoal. Isolada deste Dom, a vida é absurda, sem sentindo algum (...)

A Vida Moral: Liberdade de Espírito
O reconhecimento e a celebração de Deus como Mestre de nossa vida é o fundamento sobre o qual edificamos a compreensão e a esperança que levam à uma conduta cristã, uma conduta que se conforma à vontade divina e manifesta os atributos divinos: Justiça e Amor. A confissão de Deus como Senhor e Sua celebração na Liturgia da Igreja são, por esta razão, o fundamento da teologia moral cristã.


A problemática da teologia moral, que cria dilemas éticos em nossa vida cotidiana, provém do conflito existente entre a nossa confissão de fé e nossas “paixões”, os “impulsos da carne” que conduzem ao pecado e à separação com Deus, que é a fonte e a plenitude da existência humana. Sem esse conflito, nós conheceríamos pela nossa própria natureza a vontade de Deus e conformaríamos nossas atitudes e nossas ações à esta vontade. O pecado, portanto, resulta da autonomia humana conduzida ao absurdo que corrompeu nossa natureza criada e a capacidade natural de todos, em virtude da divina imagem na qual ela é investida, de conhecer, de amar Deus e de , então, obedecê-Lo acima de tudo.


Todos pecaram e destituídos estão da Glória de Deus” (Rm.3,23). Cada um de nós sofre os efeitos do nosso próprio estado de pecado. É por este fato mesmo que os mais santos dentre nós devem afrontar este conflito entre a razão e as paixões.


Atingir as qualidades de bondade, de amor, de misericórdia e de justiça requer uma disciplina – uma ascese ou um combate – de arrependimento contínuo. O movimento de “retorno” implicado pela metanóia ou arrependimento não pode, todavia, ser um retorno a nós próprios, à nossa própria natureza caída e corrompida; mas sim um retorno a Deus. A conduta ética cristã não pode ser pregada a partir de idéias ou objetivos humanos; suas condições e suas metas, tal como a própria vida humana, devem estar ancorados em Deus, o único que determina aquilo que é bom, justo e reto, e que nos revela esta determinação pela Escritura, a oração e outros aspectos da experiência da vida em Igreja.

O Amor Trinitário
Eis porque a ética cristã deve fundamentar-se sobre a Revelação. Se devemos  empreender um combate para conformar nossa vontade, nossos desejos e nossas ações à vontade de Deus, devemos então saber o que a vontade divina exige. De fato, como é que Deus gostaria que nós nos conduzíssemos? Se procurarmos a resposta nas Escrituras e no ensinamento – A Tradição – da Igreja, algumas indicações emergem. Uma dentre elas se destaca particularmente: “Deus é Amor”, como nos diz o apóstolo João (I Jo.4,7-12). Em conseqüência, nossas atitudes e nossas ações vão refletir o amor oblativo, sacrifical que resplandeceu de forma particular na crucifixão de Jesus Cristo, o Filho Bem-Amado do Pai.


Esse amor revelado é essencialmente trinitário, é uma comunhão de Dom dividida de maneira igual entre as Três Pessoas Divinas. Desta forma, ele é sempre “dirigido aos autores”, ele consiste de dom de si, oferecido livre e jubilosamente ao outro e para o outro. Nossa resposta a este amor é também uma resposta em comunidade. Ao saber que somos objetos da profunda e tenra afeição de Deus, oferecemos a Ele, de nossa parte, o nosso amor, pela nossa oração e nossa fidelidade aos Seus mandamentos. Ao mesmo tempo nós estendemos nosso amor ao outro (próximo), a todo “outro” que tal como nós mesmos traz nos recônditos da alma a imagem da divina beleza e da vida divina. Não há limites nem qualificações para tal amor. Ele deve estender-se igualmente e plenamente ao amigo e ao inimigo, ao ortodoxo e ao não ortodoxo, qualquer que seja sua identidade étnica, sua classe social, sua raça, sua religião ou seu sexo. Deus revelou-nos o Seu amor sem medidas; e este amor confere à cada ser humano um valor e uma dignidade infinitas. Todo “outro” é então digno do nosso amor, ele requer, mesmo, nosso amor. Olivier Clément o exprime de uma maneira simples, mas profunda ao dizer que “todo homem tem direito a uma compaixão infinita” (...)


A revelação da vontade do Pai no e pelo Filho e o Espírito é raramente específica no ponto de vista das ações particulares que devem ser levadas em certas situações concretas. À nossa época, onde inquietudes avançadas têm lugar na tecnologia biomédica, somos geralmente confrontados a decisões pelas quais parece-nos não ter diretrizes confiáveis nas fontes da revelação, compreendidas nas Sagradas Escrituras. Os Dez Mandamentos (ex. 20; Dt.5), as Bem-Aventuranças (Mt.5; Lc.6) e outras regras de vida similares (cf: Ef.5; Cl.3) assim como os ensinamentos específicos de Jesus, de Paulo e de outros autores apostólicos (como por exemplo a respeito do casamento e divórcio: Mt. 19, 3-12; ICo. 7, 10-16; ou sobre a Ressurreição e o Julgamento: Mt. 25, 31-46; Jo. 5, 19-29; ICo 15, 34-58) nos fornecem condutas preciosas apesar de seu pequeno número, para tomadas de decisões éticas. Elas “condenam” certas atividades (tais como a idolatria, o matar, o furto, o adultério) e nos prescrevem outras atividades (a pureza, de coração, a reconciliação, a caridade).


A reflexão ética deve proceder da Fé Cristã

Se atualmente há tanta confusão quanto à tomada de decisões éticas, não é apenas em virtude da novidade e da complexidade das questões que devemos afrontar mas, primeiramente, porque a disciplina da ética foi isolada de suas raízes teológicas. Se ela deve constituir uma “teologia moral” autêntica, a reflexão ética deve proceder da Fé da Igreja e exprimi-la. Ela deve começar e terminar com a convicção de que somente Jesus Cristo é o Caminho, a Verdade e a Vida, o domínio e o próprio fim de toda ação ética, tão específica ou tão trivial que ela possa parecer. A ética é a teologia aplicada, a teologia em atos. Em tanto que tal, ela encontra seu tratamento mais fundamental e mais eloqüente nesta exortação que nos é familiar e que conclui numerosas Litanias da Liturgia Ortodoxa, ... “entreguemo-nos todos, e cada um de nós, em cada instante da nossa vida a Cristo nosso Deus”.

Ao proceder desta maneira, deveríamos ser capazes de indicar como a tradição bíblica e patrística podem exprimir-se diretamente e com força acerca das questões de ética que aparecem tão complexas aos dias de hoje. A questão fundamental a guardar o espírito é esta: de que maneira princípios teológicos abstratos podem ser aplicados com benefícios em “momentos éticos” específicos, sobretudo quando decisões de vida e de morte devem ser tomadas? De outra forma perguntamos: como que os princípios de nossa fé podem nos ajudar a discernir a vontade de Deus em situações concretas, e a empreender ações que se conformam à esta vontade divina, para o nosso próprio bem-estar e o daquele por quem somos responsáveis? (...)


A pessoa humana: Da imagem à semelhança

A pessoa humana é a mais sublime expressão da atividade criadora de Deus. Adão e Eva; homem e mulher, são criados à imagem e à semelhança de Deus (Gn. 1,26). Deus é a origem e o fim da vida humana criada. Sua “imagem” é realizada nos seres humanos, não só através dos atributos ou capacidades particulares (O amor, a razão, etc..), como pelas qualidades pessoais, distintas que põem os humanos à parte ou acima de todos os outros seres corporais. A “Imagem de Deus no homem” é identificada, segundo alguns teólogos gregos ortodoxos de hoje (Yannaras, Zizioulas, Nissiotis, Nellas) com a “personalidade” humana: a capacidade divinamente conferida por Deus de relação com Deus, consigo próprio e com os outros, exercida na liberdade e no amor.


Se somos, de fato, obrigados, como o afirma Yannaras, a prestar contas na vida moral da “aventura existencial de nossa liberdade”, é porque a queda (compreendida individualmente e coletivamente) nos força, de forma permanente, à uma situação de escolha. Pertence à nós a livre decisão de nos rebelarmos contra a vontade de Deus, que nos exilou do paraíso. A criatura humana, segundo São Basílio “é um animal que recebeu a ordem de tornar-se deus” (citado por São Gregório de Nazianzo, In Oratio 43). Todavia ao sucumbirmos à tentação, alienamo-nos de Deus e traímos nossa vocação por excelência. Em Cristo, temos a possibilidade de progredir de “glória e glória” (II Co. 3,18) à uma plena e perfeita comunhão com a vida divina que aporta à humanidade (a personalidade autêntica) seu fundamento indispensável. No entanto a necessidade constante de escolher entre a luz e a verdade de uma parte, as trevas e o engano de outra, nos põe em um combate interior incessante contra as tentações demoníacas e nossa tendência a auto idolatria. A ascese autêntica é então essencial para nosso crescimento na via da salvação.


Isto quer dizer que a iniciativa de Deus deve encontrar a resposta do homem, pelo exercício da vontade humana – pelo arrependimento, a oração e as obras de caridade – que nos tornam aptos, enquanto portadores da divina imagem, a progredir através de um processo de purificação e de santificação interior, ao atingir da divina semelhança. São Diádoco exprime tal resposta ascética baseada sobre o amor, por meio de sua eloqüência costumeira: “Nós todos, os homens, todos nós somos feitos à imagem de Deus; mas ser à semelhança de Deus é próprio somente àqueles que, por muito amor, subjugaram a Deus sua liberdade. Quando, em efeito, nós não somos mais  nós mesmos, eis que então somos semelhantes àquele que nos reconciliou com Ele pelo amor” (Discursos Ascéticos) (...)


A consciência e o discernimento

A vida moral está enraizada na esperança inabalável da glória que São Paulo descreve como “O Cristo está em nós” (Cl. 1,27). É a vida assumida, como um Dom sagrado, vivida na liberdade do Espírito e destinada a ser eternamente dividida na glória do Cristo. “Ora o Senhor é Espírito; e onde está o Espírito do Senhor aí há liberdade. Mas todos nós, com cara descoberta, refletindo como um espelho a Glória do Senhor, somos transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor” (II Co. 3,17-18). (...) Nós temos muito a aprender dos escritos de São Máximo o Confessor, que declara: “Não trateis a consciência com desprezo, pois ela sempre vos aconselha a fazer o melhor. Ela põe diante de vós a vontade de Deus e dos anjos; ela vos liberta das concupiscências secretas do coração; e ao deixar esta vida ela vos concede o Dom da intimidade com Deus” (Terceira centúria sobre o Amor, 80).


São Máximo descreve a consciência como uma amiga íntima, uma amiga que nos aconselha em fazer o melhor, nos revela a vontade de Deus, nos protege e nos liberta da influência corruptora de nossas próprias razões e de nossos sentimentos ou “paixões”. Mais comovente ainda São Máximo descreve a consciência como uma mediadora que toma a nossa defesa e que nos protege antes que venha o julgamento de Deus. Ao mesmo tempo, ela põe o fundamento de nossa comunhão eterna com Deus na medida onde ela nos guia para tornarmo-nos “perfeitos” como nosso Pai Celeste é perfeito (...)


Muitas questões nas quais somos confrontados no domínio da bioética, ou não admitem solução alguma específica ou não receberam da parte dos teólogos e de outras pessoas com autoridade na Igreja a atenção necessária para fornecer as respostas claras e definitivas que nós buscamos. Mesmo as tentativas mais sinceras para analisar tal ou tal questão em termos de prescrições eclesiásticas nos deixam um sentimento de frustração impotente. Uma decisão, pode ser critica, pode ser uma questão de vida ou morte, deve ser tomada e nós não temos recursos para decidir de uma maneira que “pareça justa” ou que se conforme manifestamente àquilo que nós sabemos ser a vontade de Deus. Geralmente, de fato, a vontade de Deus não é totalmente clara e a tentação pode ser simplesmente deixar cair os braços em sinal de desespero.


Uma consciência conforme ao Espírito da Igreja

As decisões que somos levados a tomar concernem preocupações banais do domínio do cotidiano ou um julgamento de vida ou de morte onde com pouco ou até mesmo sem tempo algum temos para refletir e aconselharmo-nos; essas decisões só podem ser fiéis ao objetivo divino na medida em que elas são essencialmente decisões eclesiais tomadas sobre a base de uma consciência que se conforma ao espírito de Igreja.


Isto quer dizer, igualmente, que as decisões críticas que talvez venhamos a tomar devem ser, de fato, tomadas ao interior da comunidade que é a Igreja. É a comunidade dos vivos e dos mortos, dos “santos” de todos os tempos que conosco estão no corpo de Cristo universal. De uma parte, nos dirigimos a eles para pedirmos conselho pelo diálogo pessoal ou pelos escritos que eles deixaram. Quantos dentre nós, nos dias de hoje, encontraram uma inspiração nova e cheia de Graça ao ler textos deixados por Nicolau Motovilov (que transcreveu suas conversações com São Serafim de Sarov sobre a aquisição do Espírito Santo), o Padre Alexandre Eltchaninov (presbítero da emigração russa, morto em 1934, autor de um Jornal Espiritual), ou ainda São Siluan o Athonita (monge russo da Santa Montanha, que repousa em 1938, sendo canonizado em 1988). De outra parte,  pedimos a oração dos santos, sua intercessão por nós, a fim de sermos guiados como convêm. Pedimos para sermos guiados pela inspiração da Graça e pelo poder do Espírito Santo, a fim de agirmos conforme à vontade de Deus para nós próprios e para todas as outras pessoas concernentes.


Através de nosso Batismo nos tornamos “membros uns dos outros”

Isto quer dizer que jamais tomamos decisões éticas sozinhos. Nossos julgamentos morais e as ações que daí procedem intervêm sempre ao interior do corpo vivo da Igreja. Através de nosso batismo somos incorporados uns nos outros, tornamo-nos “membros uns dos outros” (Rm.12,5). As decisões que eu tomo afetam e influenciam o corpo (por inteiro). Assim como o meu próprio pecado tem conseqüências não somente para minha família e meus amigos, mas também para a comunidade eclesial no seu conjunto, tais como minhas decisões éticas e sua conseqüências implicam e afetam a totalidade da “comunhão dos Santos”. O aspecto positivo, a maravilhosa promessa desta verdade: eis que posso apoiar-me sobre o corpo todo para assistir-me e guiar-me nas decisões críticas graças ao amor que me testemunham seus membros, à sua solicitude, sua implicação pessoal e, sobretudo, sua oração.


Temos toda a necessidade, sendo clérigos ou leigos, de construirmos para nós-próprios “fontes de sustento” pessoais compostas de experientes e confiáveis amigos próximos que podem nos aconselhar e nos avisar quando temos que tomar decisões capitais. Isto quer dizer também que devemos, enquanto membros da Igreja, reconhecer e aceitar nossa responsabilidade de uns para com os outros, a fim de assegurar a assistência, o conselho e a intercessão necessários. Quando a morte ameaça, ou uma doença crônica leva um de nós à depressão e ao desespero, ou quando um casal de amigos toma o caminho do divórcio, muito geralmente temos a tendência a ignorar o problema. Nós não “queremos nos intrometer”. É a mesma atitude de autoproteção, transposta no contexto paroquial, que nos faz recuar, quando vemos alguém deitado sob o leito do desespero. Desde então, não nos admiremos que os especialistas ortodoxos da teologia moral sintam-se obrigados a desenvolverem uma ética fundada sobre o imperativo do Dom de si e do amor sacrifical.


No fim das contas, há uma única razão pela qual os cristãos aceitam a “via estreita” que implica o fato de viver segundo as regras de uma moral. Se escolhermos o amor oblativo no lugar do hedonismo, Deus no lugar de Manon, é porque somos fundamentalmente convencidos – sobre a base de nossa própria experiência assim como a partir do testemunho dos outros que Deus, Ele próprio, é Amor, que Ele é em verdade o Autor e o Fim de nossa vida, que somente Ele confere o sentido desta vida, objetivo e valor. Ele está, então, intimamente presente em cada crise que passamos e em cada escolha que fazemos. Tais crises e tais escolhas são o nosso lote cotidiano. Elas não podem ser evitadas, pois recusar decidi-las é então recusar agir, o que é em si uma falta moral.


Quando acontece, o que é freqüente, de não podermos discernir a vontade de Deus em dada situação, então nos lembramos que Satanás o tentador, trabalha mais eficazmente através de nossa confusão, nossa frustração, nosso desespero. Quando nos sentimos obrigados a tomar uma decisão que tem conseqüências sérias, mas os elementos necessários para discernir a vontade de Deus nos faltam, então devemos recuar e recordar que isto é realmente um jogo. Devemos encontrar a intuição dos grandes ascetas da Igreja: momentos assim críticos em nossas vidas são campos de batalha, arenas do Espírito nas quais a mais importante decisão que possamos tomar é de nos remetermos nós próprios e os outros, também participantes, entre as mãos de Deus que é bom e misericordioso.


Confiar toda nossa vida a Cristo nosso Deus

Tudo isto sugere uma conclusão paradoxal, mas inevitável: que nós podemos saber com certeza que tal decisão moral é conforme à vontade de Deus e representa a “boa escolha”. O que importa verdadeiramente é que em nossas deliberações morais, geralmente angustiantes (que concernem, por exemplo, a conduta  apropriada ao tratamento destruidor de um narcótico), rejeitamos a orgulhosa tentação que nos faz afastar do controle das operações, no lugar de “entregarmo-nos todos e cada um de nós em cada instante de nossa vida a  Cristo nosso Deus”. Isto não quer dizer que renunciamos à nossa liberdade ou que nós abdicamos de nossa responsabilidade. Isto significa que damos a Deus aquilo que é de Deus, e precisamente “toda nossa vida”, isto inclui nossos motivos e nossos desejos assim como nossas escolhas e nossas ações. E fazemos isto com a convicção inabalável que em toda situação onde o amor governa nosso comportamento, Deus pode tirar de nossos erros e de nossos maus julgamentos o que de necessário para realizar seu desígnio. A Fé da Igreja é que a vontade de Deus governe todas as coisas. A essência da vida moral cristã consiste então em submeter nossa vontade própria à vontade de Deus com a fervorosa oração “Sua vontade seja feita”.

Este ato de total submissão é necessário, que nos sintamos, ou não, conscientes de partilhar o espírito do Cristo e de aí conformar todas nossas decisões e nossas ações. Isto requer um profundo ato de fé e uma grande dose de humildade para admitir nossos próprios limites quando realizamos escolhas morais e remetemos este processo de tomada de decisões em boas mãos. É necessário humildade e confiança para dirigir-se ao próximo e lhe suplicar de nos acompanhar e assistir com seu amor e intercessão. É isto precisamente o que nos é pedido enquanto membros de um corpo e membros uns dos outros. A primeira e a última decisão que temos de tomar é, então, a decisão de submeter nossas deliberações morais àquele que é a cabeça deste corpo, com firme propósito de que todas as ações que nós realizamos em toda situação dada são para a Sua Glória, para a salvação daqueles que Ele confiou aos nossos cuidados. (...)

pelo Padre John Breck

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