segunda-feira, 12 de junho de 2017

Jejum & Abstinência

São João de Kronstadt
Aprendestes a ver Deus, a representá-Lo para ti mesmo como sabedoria onipresente, como Palavra viva e ativa (= Verbo, Logos), como Espírito Santo vivificante? A Santa Escritura é o domínio da Sabedoria, da Palavra e do Espírito de Deus-Trindade; nela, Ele revela-Se claramente: "As palavras que Eu vos disgo são espírito e vida" (Jo. 6, 63), diz o Senhor. Os escritos dos Santos Padres também são uma expressão da Sabedoria, da Palavra e do Espírito da Santa Trindade, na qual o espírito de uma elite (espiritual) da humanidade colaborou amplamente. As obras do homem comum deste mundo são expressão do espírito humano decaído, com todas as suas concupiscências, tendências e paixões. Nas Santas Escrituras, nós vemos Deus face a Face e a nós mesmos tais como somos! Homem: conhece-te a ti mesmo, e anda sempre na presença de Deus.
O homem, em suas palavras, não morre; nelas (nas Palavras de vida), ele é imortal, posto que falarão ainda depois de sua morte. Quantas palavras imortais se dizem ainda no meio de nós, que nos foram legadas por aqueles que morreram há muito tempo e que, às vezes, permanecem vivas nos lábios de todo um povo! Como é poderosa a palavra, mesmo a palavra de um homem comum! Mais ainda, então, a Palavra de Deus. Ela viverá através dos tempos e permanecerá sempre viva e efetiva.
Para que servem o jejum e a penitência? Por que razão realizar este esforço? Eles servem para a purificação da alma, a paz do coração, a união com Deus; eles nos preenchem de devoção e de espírito filial e nos dão segurança diante de Deus. Certamente, já existe aqui um bom motivo para nos levar a fazer jejum. Uma recompensa inestimável espera o esforço consciencioso. Porém, será que ainda existem muitos no meio de nós que amam a Deus com um amor verdadeiramente filial? Existiriam ainda muitos que orariam com todo abandono, com segurança, invocando o Nome do nosso Pai do Céu dizendo: "Pai Nosso!"? Será que, ao contrário, esse chamado filial não cessou de ecoar nos nossos corações decaídos pelas vaidades deste mundo e seus prazeres? Nosso Pai dos Céus não estará longe de nossos corações? Não seria visto por nós mais como um Deus irritado, já que O abandonamos partindo a um país longínquo? Sim, pelos nossas faltas, todos merecemos Sua justa cólera e o castigo, e é maravilhoso como Ele mostra-Se paciente e indulgente a nosso respeito. Ele que não quer abater-nos como figueiras estéreis.
Apressemos-nos em apaziguá-Lo com sentimento de arrependimento. Voltemos-nos para dentro de nós mesmos; examinemos o nosso coração com honestidade e, vendo a imensidão de pecados que o torna inacessível à Graça Divina, veremos que estamos espiritualmente mortos.
Vem, Senhor, torna-me vivo pelas Tuas Palavras de Vida e purifica-me pela ascese da submissão de minha vontade à Tua santa vontade. Que este período de Jejum que se inicia me ajude a colocar um novo início em minha vida espiritual, fazendo-me conhecer mais a mim mesmo. Amém!
 por São João de Kronstadt (+ 1908)

Nenhum comentário:

Postar um comentário