segunda-feira, 6 de abril de 2015

A Grande Semana Santa Ortodoxa




Os Ofícios da Grande Semana Santa fazem de nós testemunhas e participantes imediatos dos eventos da Paixão e Ressurreição de Jesus Cristo. Nas leituras do Antigo e do Novo Testamento, nos hinos, procissões e celebrações litúrgicas vemos o cumprimento das profecias messiânicas e as ações pelas quais o próprio Deus, na pessoa de Jesus Cristo, nos concede o perdão de nossos pecados e nos resgata da dor da morte eterna.

Grande Segunda-Feira (Matinas do Noivo)Mateus 21:18-43 – O ofício deste dia nos recorda o início do sofrimento de Jesus. O Santo Evangelho descreve a conspiração dos anciãos e sacerdotes para forçar Jesus a dizer que Ele é um herege. Através de parábolas, Cristo nos fala sobre traição, julgamento, condenação e execução na Cruz. Os hinos celebram tanto a figura profética de José (do Egito) que, embora um homem virtuoso, sofre injustamente nas mãos de seus irmãos antes de receber uma grande recompensa, como a parábola da figueira, que ao deixar de dar frutos, torna-se um símbolo da criação decaída, e de nossas próprias vidas, nas quais falhamos ao não gerarmos frutos espirituais.




Grande Terça-Feira (Matinas do Noivo)Mateus 22:15-46; 23:1-39 – Essa noite fala sobre a necessidade de vigília e preparação, para que não estejamos despreparados quando formos chamados perante o julgamento no tribunal temível de Cristo a prestar contas de nossos atos em vida. A leitura do Santo Evangelho contrasta os esforços dos fariseus em lograr e desacreditar Jesus contra a forte resistência de Cristo contra sua maldade. Os hinos nos recordam da parábola das dez virgens, que exortam o cristão fiel a manter-se em permanente vigília (vigilância).

Grande Quarta-Feira (Matinas do Noivo)João 12:17-50 – A necessidade de um arrependimento sincero e verdadeiro é o cerne do ofício da noite de terça. A transformação de uma vida de pecado numa vida de fé e obediência nos é exemplificada na figura da mulher pecadora que recebe o dom do perdão ao derramar mirra sobre Jesus, lavando-Lhe os pés. O destaque do ofício é o hino de Cassiana. A meditação do Santo Evangelho prediz a aproximação do sofrimento de Cristo e nos recorda Sua agonia e conflito.

Grande Quarta-Feira (à noite, Óleo Santo) – Epístolas: Tiago 5:10-16, Romanos 15:1-7, I Coríntios 12:27-31 e 13:1-8, II Coríntios 1:8-11, Gálatas 5:22 – 6:2, I Tessalonicenses 5:14-23. Evangelho: Lucas 10:25-37 e 19:1-10, Mateus 10:1.5-8, Mateus 8:14-23, Mateus 25:1-13, Mateus 15:21-28 e Mateus 9:9-13. O principal tema da Quarta-Feira Santa é a necessidade humana de receber a cura e o perdão que adentram nossas vidas quando estabelecemos uma relação com Deus através de Jesus Cristo. Somos lembrados que encontramos o caminho para este relacionamento, acima de tudo, através de uma vida de oração. No sacramento da Unção do Santo Óleo os fiéis são ungidos, e assim, curados física e espiritualmente. Eles também se reconciliam com Deus e uns com os outros, através do Sacramento do Arrependimento e da Confissão, a fim de receberem o Sacramento da Santa Eucaristia instituída por Cristo na Última Ceia.

Grande Quinta-Feira (comemoração da Última Ceia)Mateus 26:1-20, João 13:3-17, Mateus 26:21-39, Lucas 22:43-45 e Mateus 26:40 – 27:2. Na manhã da Quinta-Feira Santa, subimos o Monte Sião com Cristo e os Doze Apóstolos, e entramos no andar superior. Ali, testemunhamos o momento no qual, durante a Última Ceia, Cristo estabelece a Nova Aliança, conforme predisse o Profeta Jeremias, através do Sacramento da Eucaristia. Os fiéis recebem a Santa Comunhão na mais sagrada das Liturgias.




Grande Quinta-Feira (à noite, 12 Evangelhos da Paixão) – Nesse ofício rememoramos o sofrimento imerecido sob o qual Jesus Cristo padeceu por nós, para que pudéssemos nos reconciliar novamente com Deus, nosso Pai. As leituras do Santo Evangelho são o testemunho da traição e prisão de Jesus, Seu julgamento e condenação, e finalmente, Sua tortura, crucificação e morte nas mãos de uma humanidade pecadora. No ofício dessa noite também temos a procissão que representa Cristo carregando Sua própria Cruz pela Via Dolorosa, e encerra-se quando vemos diante de nós o Rei da Glória crucificado. O serviço tem como cerne a leitura dos 12 Evangelhos da Paixão.




Grande Sexta-Feira da Paixão (à tarde, Sepultamento de Cristo)I Coríntios 1:18 – 2:2, Mateus 27:1-38, Lucas 23:39-43, Mateus 27:39-54, João 19:31-37 e Mateus 27:55-61. Neste ofício somos novamente testemunhas do sofrimento imerecido de Cristo, de Sua terrível Paixão e Morte. Recordamo-nos também, de modo especial, através da liturgia e da procissão, da fidelidade e do amor de São José de Arimatéia, que gentilmente remove o corpo de Cristo da Cruz, envolvendo-o em linho branco e o depositando-o em sua própria tumba para o sepultamento.




Grande Sexta-Feira (à noite, Lamentações)Ezequiel 37:1-14, I Coríntios 5:6-8, Gálatas 3:13-14, Mateus 27:62-66. O tema da noite da Sexta-Feira Santa é a descida de Cristo ao Hades, durante a qual o Evangelho do arrependimento e da reconciliação com Deus é compartilhado com todos aqueles que morreram antes da salvação do Cristo encarnado. O ofício se inicia com o lamento cantado enquanto o povo se põe perante a tumba de Cristo, recordando Sua punição injusta e o derramamento de Seu sangue inocente. Porém o ofício termina com um lampejo de alegria e esperança, com a leitura do livro do Profeta Ezequiel, no qual ele descreve sua visão de nossa ressurreição vindoura; no meio do desespero, ele nos diz que há esperança, pois nem mesmo a morte pode nos separar do amor incessante e do poder de Deus. A morte será vencida e a fidelidade recompensada.

Grande Sábado (Sagrada Liturgia)Romanos 6:3-11, Mateus 28:1-20. Na manhã do Sábado Santo nos recordamos da recompensa da fidelidade. A crucificação terminou, Cristo foi sepultado e os doze apóstolos e discípulos estão dispersos e derrotados. Porém, três portadoras de aromas aproximam-se por fidelidade para executar um derradeiro ato de amor – ungir o corpo de Jesus com mirra, seguindo os costumes funerários judaicos. Sua devoção inabalável é recompensada – elas são as primeiras a compartilhar do triunfo de Cristo sobre a morte e o mal; são as primeiras a testemunhar Sua ressurreição. Celebramos essa alegria quando o padre espalha folhas de louro pela assembleia depois da leitura do Evangelho da Sagrada Liturgia.




Glorioso Domingo de Páscoa (Matinas Pascais e Sagrada Liturgia)João1: 1-17. Leitura dos Atos dos Apóstolos sob o Epitáfios estendido, com todas as luzes da igreja se encontram apagadas, simbolizando o desespero e a derrota sentidos às vésperas da vitória de Cristo sobre o inimigo de nossa salvação. Precisamente à meia-noite uma única chama é acesa no altar representando a vitória de Jesus sobre a morte e a derrota do príncipe das trevas ante a majestade de Cristo, a Luz do Mundo. Essa luz é passada de pessoa à pessoa, iluminando a igreja até afastar por completo a escuridão. A Ressurreição é proclamada por meio de canções e de uma procissão, e após a Liturgia, a chama é levada para nossas casas, para que elas também se encham com a sua luz, calor e triunfo.

Domingo de Páscoa (Agápe Vésperas)João 20: 19-25. A Ressurreição e a vitória de Cristo são reafirmadas. O Santo Evangelho é lido em diversos idiomas para mostrar a universalidade da Boa Nova da Ressurreição a todos os povos da Terra. Amor, perdão, reconciliação, triunfo e alegria são os dons que recebemos, pois Cristo viveu, morreu e triunfou pela nossa salvação.

por Aurora

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