sábado, 7 de março de 2015

Sobre a impassibilidade - apatheia ou quietude de espírito



O objeto da guerra contra as paixões é a impassibilidade - estado abençoado atingido por muitos Santos.

"Aquele que tornou-se um amante de Deus e pretende participar, ainda que imperfeitamente, na impassibilidade de Deus, na santidade espiritual, na serenidade, quietude e humildade, e experimentar o gosto de júbilo e alegria que nasce dessas virtudes, deve esforçar-se em conduzir seus pensamentos às coisas divinas com olhos claros e desanuviados, fruindo insaciavelmente a Luz Divina. Um homem que tenha implantado essa atitude em sua alma torna-se deus, na medida em que isso seja possível, e é amado e recebido por Ele como alguém que corajosamente tomou para si esse trabalho grande e difícil. Ele torna-se capaz, apesar de sua natureza ainda estar ligada à matéria, de conversar com Deus enviando-lhe pensamentos puros despidos de paixões carnais"(São Basílio, o Grande).

Isso não significa que alguém que seja impassível nunca sinta nenhuma paixão. Ele ainda tem uma natureza decaída, e a terá até a morte. Assim, por serem as paixões inextrincavelmente parte dessa natureza, elas devem ser conquistadas, nunca porém desarraigadas.

"A impassibilidade não impede que seja atacado pelos demônios pois se esse fosse o caso, nós sairíamos fora do mundo (I Co. 5, 10). Melhor explicando, ser impassível significa perma­necer-se inconquistado quando atacado. E assim, como os guerreiros com armaduras ouvem o som de setas sibilantes quando são atacados, mas permanecem sem ferimentos dada a resistência das armaduras, imunes na batalha, assim também permaneceremos se estivermos vestidos com justiça na armadura da luz e com o elmo da salvação" (Diadochus).

"Graças a muitos tipos de virtudes, visíveis ou invisíveis, que os santos adquiriram, as paixões perdem poder sobre eles não podendo assim levantarem-se facilmente para atacá-los. Desse modo, a mente não precisa mais ficar prestando atenção nas paixões e pode ser ocupada com pensamentos, estudos e investigando as mais perfeitas contemplações... Assim que as paixões começam a se mover e serem excitadas, a mente é subitamente elevada por cima delas por uma percepção das coisas Divinas. Então, as paixões permanecem sem efeito" (São Isaac, o Sírio).

"As almas, que tem por Deus um amor ardente e insaciável, estão destinadas à vida eterna, por essa razão a libertação das paixões é concedida a elas e elas obtém perfeitamente a radiosa participação da inexprimível e mística amizade do Espírito Santo, a plenitude da Graça" (São Macário, o Grande - Homily 10).

"Como o céu é adornado pelas estrelas, a impassibilidade, é adornada pelas virtudes; pois a impassibilidade é nada mais do que o céu interno na mente, onde os jogos e armadilhas dos demônios são encarados como simples brinquedos. E assim o verdadeiro impassível é aquele que... elevou sua mente acima de todas as coisas criadas e subjugou todos os seus sentidos, mantendo sua alma na presença de Deus, dirigindo-se sempre para Deus mesmo quando isso está além de suas forças... Aquele a quem foi concedido tal estado, enquanto ainda no corpo, tem Deus sempre habitando nele como seu Guia para todas as palavras, atos e pensamentos... O impassível não vive mais, mas é Cristo que vive nele (Gal. 2, 20)" (São João Clímaco - A EscadaSanta).

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