quinta-feira, 12 de março de 2015

Carregando a vergonha da Confissão




Pergunta: Tomando os passos que nos se apresentam, a coisa mais difícil, penso eu, é superar o medo da vergonha. É isto que tento fazer em minha paróquia. As pessoas não virão à Confissão embora suas almas estejam sobrecarregadas e as circunstâncias de suas vidas as dirijam de forma desordenada, simplesmente pelo fato de não poderem superar a vergonha de admitir seus pecados. Como guiar as pessoas à tal direção?

Resposta: Penso que a força de portar a vergonha é um dom dado por Deus. Quando eu era um jovem e inexperiente Pai Espiritual, o Ancião Sofrônio (de Essex) disse-me para encorajar os jovens a se confessarem precisamente das coisas que tinham vergonha, porque se aprendessem a fazer desta forma, a vergonha se transformaria em força contra as paixões, e assim ultrapassariam o pecado. Foi exatamente isto que aconteceu na pessoa de Zaqueu. Ele tomou voluntariamente a vergonha, e o Senhor, que estava em Seu caminho a Jerusalém para sofrer a vergonha da Cruz, viu Zaqueu tomando sobre si a vergonha por Sua causa. Cristo reconhece nele um espírito aparentado. Zaqueu se colocou profeticamente no caminho de Cristo, no caminho da Cruz, e de uma forma profética o mistério da Cruz e da Ressurreição de Cristo ativaram o coração de Zaqueu. Seu coração se dilatou e ele tornou-se capaz de ingressar no poder da fé. Cristo nos salvou através da vergonha da Cruz, assim da mesma forma que quando sofremos pela vergonha por Ele, Cristo considera tal fato uma gratidão, e transmite em troca Sua graça que regenera nossas vidas.

É exatamente isto que acontece na Confissão. Aqueles que se confessam sinceramente e tomam sobre si a vergonha por seus pecados são regenerados. Mas aqueles que encolhem os ombros e dizem ‘nada de mais, nada de especial, coisas cotidianas...’ não suportam vergonha alguma, seus corações permanecem imóveis, e recebem com muita dificuldade um benefício. No entanto, aqueles que com vergonha e um coração contrito, desnudam suas almas diante de Deus e de outro mortal ‘sujeito aos mesmos sentimentos’ (At. 14:15) – esta vergonha realmente encontra o coração, humilha-o e transforma-o. Então, abre o coração para receber a graça da regeneração, da consolação. Vemos isto na vida de muitos que veem até nós: quanto maior a vergonha que trazem com contrição, acusando a si mesmo diante de Deus, maior é a graça que recebem para emendarem suas vidas e fazerem um novo início.

pelo Archimandrite Zacharias Zacharou
em “Remember thy First Love” - Orthodox Heritage Vol. 10, Issue 11-12

2 comentários:

  1. Excelente texto, precisamos refletir muito sobre a vergonha da Confissao !

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    1. Dna. Sophia! A paz de Cristo!
      Uma vez uma criança me perguntou: "Como devo me confessar?" Em minha soberba pensei um bocado em como respondeu àquela alma pura e disse: "fala tudo que te faz ter vergonha".
      Depois dessa lição, hoje me faço a mesma pergunta toda vez que me sinto 'envergonhada' de si mesmo.
      Uma santa Quaresma!
      A.R.

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