sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

O Período do Triódio, Átrio da Ressurreição




“Abre-me as portas do arrependimento, Doador de Vida”

A palavra grega “Triodion” designa o livro de orações que nossa Igreja utiliza durante este tempo. A palavra significa “dos três poemas”, ou melhor “das três Odes”, refletindo a estrutura litúrgica particular do Serviço de Matinas dos dias da semana, hinos estruturados morfologicamente como três poemas. Vários centros eclesiásticos contribuíram com a síntese deste livro, tal como Palestina, Antioquia e Constantinopla. De nosso Patriarcado participaram São João Damasceno e seu irmão adotivo Cosme, além de Santo André, Bispo de Creta, nascido em Damasco. Mencionamos também Teodoro e José do Monastério de Studion de Constantinopla, os quais realizaram um aporte muito importante ao Triódio.

O período do Triódio se divide em três partes: um período de preparação, a Grande Quaresma e a Semana Santa. O período de preparação está constituído por quatro Domingos: o do Fariseu & Publicano, o do Filho Pródigo, o do Juízo e o do Perdão. Segue a Grande Quaresma, um período de quarenta dias que culmina com a sexta-feira que precede o Sábado de Lázaro. O Sábado de Lázaro e o Domingo de Ramos formam um nexo de alegria entre a Grande Quaresma e a Semana Santa.

O tom do arrependimento é a característica primordial dos hinos nas Matinas do Triódio. Eis a expressão, ou melhor dizendo, o clamor da alma implorando o retorno à casa paterna. Assim nos dirigimos ao Senhor: “Abre-me as portas do arrependimento, Doador de Vida! Porque, de madrugada, minha alma se apressa ao templo de Tua santidade, aproximando-me do templo do meu corpo, totalmente corrompido. Mas, em Tua compaixão, purifica-me segundo a Tua clemência”. Pedimos também o socorro da Mãe de Deus: “Conduz-me no caminho da salvação, ó Mãe de Deus! Pois que profanei a minha alma com pecados horríveis e desperdicei toda a minha vida na indolência. Mas, por Tua intercessão, purifica-me de toda impureza. "

As quatro estações preparatórias à Grande Quaresma têm uma temática espiritual muito interessante. Enfatizamos assim o Domingo do Fariseu & do Publicano com a humildade; o Domingo do Filho Pródigo com o arrependimento, o Domingo do Juízo com o exercício da caridade; e por fim, o Domingo do Perdão com a reconciliação prévia ao Jejum.

Estas são estações importantes na luta espiritual que cada um de nós vai travar adiante, tal como um general de forças armadas, dispondo de armas especiais, para que não se abale devido a inexperiência ou ignorância. Pois que existe o temor de sentir que o jejum é somente uma abstinência de alimentos, várias vicissitudes se manifestam, tais como a arrogância, como do fariseu em relação ao publicano, o fato de condenarmos aqueles que não jejuam como nós; a carência de arrependimento de coração ou a falta de corrigir sua própria conduta; a indiferença para como as necessidades das outras pessoas; e por fim guardar rancor das ofensas de nossos próximos.

Por isto, repetimos em todos os serviços a seguinte oração de Santo Efrém o Sírio: “Senhor e Mestre de minha vida, afasta de mim o espírito de preguiça, de dissipação, de domínio e de vã-loquacidade. Concede a Teu servo um espírito de temperança, de humildade, de paciência e de amor. Sim, Rei meu e Deus meu, concede-me conhecer as minhas faltas e não julgar a meus irmãos, porque Tu és bendito pelos séculos dos séculos. Amém!” Esta oração marca as vicissitudes e as virtudes cardinais que nos preocupam nesta luta em recuperar nossa saúde espiritual. Desde então, eis a diretriz muito clara: ter o estômago vazio é sentir a própria pobreza, e que Deus é a plenitude de tudo em ti.

Face ao horizonte que se abre, a magnitude do trabalho de preparação para a Ressurreição do Senhor, coloquemos nossa confiança no auxílio de nosso Senhor. Através dela nos dirijamos a Ele com o refrão mais característico do Ofício das Grandes Completas que recitamos na Grande Quaresma e mui querido a todos nós: “Senhor dos Exércitos, sê conosco! Pois que não temos outro auxílio nas tristezas, senão a Ti”. Amém.

pelo Metropolita Siluan (Muci) de Buenos Aires e Toda Argentina

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