segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

As desculpas impedem o crescimento espiritual


Venerável Paísios do Mt. Athos

P: Ancião, quando as pessoas dizem que ‘não há desculpas’ nas Sagradas Escrituras, o que eles querem realmente dizer com isso?

R: Querem dizer que por certo lado, não há justificativa para desculpa qualquer.

P: Ancião, quanto tento me justificar com desculpas, compreendo, cedo ou tarde, que isto não traz benefício algum para um monge ou monja.

R: Não somente para os monges e monjas, mas em relação à vida espiritual. Devo entender que quando procuro me justificar com desculpas, então é porque me encontro num estado de entendimento (mente) equivocado. E por conseguinte, corto assim minha comunicação com Deus, passando a me desprover da graça divina, pois que a graça divina não vem àquele que se encontra neste estado.

No momento em que uma pessoa justifica o injustificável, ele se separa de Deus. Uma forma de isolamento se interpõe entre ela e Deus. Será que uma corrente elétrica passa por um isolamento?

Não. Eis o isolamento entre Deus e o homem. Não há barreira maior para a graça de Deus do que as desculpas! É como edificar um muro e se separar de Deus; ao desculpar-se, cortas todas as formas de relação com Ele.

P: Ancião, o senhor diz muito geralmente, “Vamos tentar pelo menos atingir a base espiritual. O que é esta base espiritual?”

R: É o humilde conhecimento de seu próprio erro, sua própria falta, sem aquela vontade de desculpar-se ou justificar-se, quando erramos e quando as outras pessoas nos repreendem.

Quando alguém não se levanta contra uma acusação errada, então é ai que ele recebe um dom excelente de graça divina. Aquele que se justifica com desculpas não faz progresso algum na vida espiritual, nem mesmo pode alcançar a paz interior. Deus não nos condenará por um erro que tenhamos feito, mas devemos tentar não nos justificarmos por este erro e considera-lo como somente algo de natural.

P: Ancião, se me chamam atenção de algo que tenha feito de errado, mas que eu não tenha conseguido compreender a natureza de minha falta, posso perguntar sobre isto para que no futuro preste mais atenção e não venha a cometê-lo novamente, ou é melhor guardar silêncio?

R: Se pensas que erraste 25%, quando de fato somente cometeste uma falta de 5%, não tens proveito espiritual? Sê “generoso” ao pesar tuas faltas, não queres negociar tua espiritualidade. Este é o esforço espiritual que deves realizar; encontre e conheça tua falta, e “previna-se” na próxima vez. De outra forma, serás tomado por si-próprio, podes se justificar, mas não encontrarás paz alguma.

P: Ancião, quando alguém tem o hábito de se justificar com desculpas, mas em seguida reconhece suas faltas e se lamenta, existe ai algum benefício?

R: Nem que seja pelo menos uma vez que tenha adquirido uma experiência valiosa, e ela possa ser bem utilizada, então há benefício. E se Deus deve dizer “Desde que ele reconheça seu erro e se arrependa, deixe-Me dar-lhe alguma coisa”, então, é claro que ele receberá alguma coisa de outro Tesouro, o Tesouro do arrependimento.

pelo Venerável Paisios do Monte Athos
fonte: Spiritual Counsels Vol3, "SPIRITUAL STRUGGLE"

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