sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Exemplo de paciência divina - São Nectário, Metropolita de Pentápolis e Taumaturgo de Egina

São Nectário, Taumaturgo de Egina

Nosso Santo Padre Nectário nasceu em 1 de outubro de 1846, em Silíbria (Trácia), de um casal de pobres mas piedosos cristãos:  Dimos e Maria Kephala.  Chamado Anastácio no Santo Batismo, demonstrou grande devoção e gosto profundo pelos estudos.  Como sua mãe ensinava-lhe o Salmo 51, ele gostava de repetir o versículo:  “Eu ensinarei os Teus caminhos aos pecadores...” (Salmo 51, 15).  Após haver feito os estudos elementares em sua pátria, foi enviado por seus pais para Constantinopla para continuar sua educação trabalhando como empregado em uma loja.  O jovem ficava insensível aos problemas da vida mundana e preocupava-se somente em edificar em si mesmo, dia e noite, o homem interior à imagem de Cristo, pela prece e meditação sobre os escritos dos Santos Padres.  

Com 20 anos, deixa Constantinopla para ser professor na ilha de Chios.  Ali encorajava os jovens e os camponeses a praticarem a devoção e as obras da virtude, não somente pelas suas palavras mas sobretudo pelo exemplo de sua vida de ascese e oração.  Desejando há muito tempo abraçar uma vida semelhante à dos Anjos, torna-se monge sob o nome de Lázaro, em 7 de novembro de 1876, no célebre Monastério de Nea-Moni.  

Em busca de algo mais transcendente, modelo de doçura e obediência, faz-se amar por todos os irmãos da comunidade e torna-se diácono um ano mais tarde.  Graças  à generosidade de um piedoso habitante da ilha, e depois à proteção do Patriarca de Alexandria, Sofrônio, pôde completar seus estudos em Atenas e obter um diploma de Teologia.  

Em 1885, ganha Alexandria, onde logo é ordenado sacerdote, e depois consagrado Metropolita de Pentápolis (antiga diocese correspondendo à Líbia superior).  Pregador e secretário do Patriarca, foi enviado ao Cairo como seu representante, na Igreja de São Nicolau.  

Apesar destas honrarias, Nectário nada perdia da sua humildade e sabia comunicar ao seu rebanho espiritual o zelo pelas virtudes evangélicas.  O amor e admiração que o povo lhe devotava acabaram, entretanto, voltando-se contra ele.  Sob instigação do demônio, certos membros do Patriarcado, invejosos do seu sucesso, caluniaram-no dizendo que ele buscava atrair os favores do povo com o objetivo de apoderar-se do Trono Patriarcal de Alexandria.  Como o santo homem não tentava justificar-se mas colocava sua confiança na promessa de Cristo:  “Bem-aventurados sereis vós quando vos insultarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o gênero de calúnias contra vós por Minha causa...” (Mt 5, 11); foi banido de seu lugar e partiu para Atenas, onde se viu então só. 

Ignorado, desprezado, faltando-lhe o mesmo pão cotidiano, pois nada guardava para si e distribuía aos pobres seus parcos recursos.  Abandonando seu projeto inicial de retirar-se no Monte Athos, o doce e humilde imitador de Cristo preferiu sacrificar seu amor pelo retiro para a salvação do próximo.  Permaneceu alguns anos como pregador (1891-1894), depois foi nomeado diretor da Escola Eclesiástica de Rizarios, destinada à formação de futuros padres.  Seu conhecimento profundo das Escrituras, dos Santos Padres e mesmo das ciências profanas, assim como sua autoridade cheia de doçura na direção de homens, permitiram-lhe dar rapidamente à esta instituição uma alta qualidade intelectual e moral.  

O santo Hierarca encarregava-se da direção e das aulas da Pastoral,  mas não cessava entretanto de viver o  programa de ascese, meditação e oração de um monge, acrescentando a isto as altas funções de pregador e de celebrante regular dos santos mistérios, na escola e também na região de Atenas.

Nectário guardava entretanto no fundo de seu coração, uma amor ardente pela quietude e pela paz da vida dos monastérios e assim aproveitou-se do desejo expresso por algumas de suas filhas espirituais de retirarem-se dos problemas da vida mundana e então funda um monastério feminino na  ilha de Egina (1904-1907)

Apesar de inúmeros problemas e dificuldades o santo homem cuidava de aí instaurar um tipo de vida cenobítica na fidelidade escrupulosa ao espírito dos Santos Padres.  Gastava sem economia suas forças corporais e espirituais na instalação dos edifícios, na celebração dos ofícios e na direção espiritual de cada uma de suas discípulas.  Frequentemente era visto no jardim, vestido com uma miserável batina, ou, quando desaparecia por longas horas, sabia-se que ele havia se fechado em sua cela a fim de elevar sua inteligência para Deus, fixando-a em seu coração para assim saborear a doçura do santo Nome de Jesus.  Ainda que tenha abandonado qualquer contato com o mundo e que tivesse regras estritas quanto a visitas no monastério, a reputação de suas virtudes e da graça que Deus lhe havia concedido espalhou-se pela região e os fiéis vinham a ele, atraídos como metal pelo imã.  

Curou vários leigos e monges de doenças que a ele afluíam, fez chover sobre a ilha que perecia sob a seca.  Ele aliviava, consolava, encorajava... Era tudo para todos em Cristo, que nele habitava pela Graça do Espírito Santo.  Apesar das dificuldades do período que se seguiu a 1ª Guerra Mundial, proibiu rigorosamente que suas monjas guardassem qualquer coisa que fosse de alimento e ordenou-lhes que distribuíssem os excessos aos pobres, confiando o dia a dia à misericórdia de Deus.  Além de todas estas tarefas, Nectário encontrava  tempo para redigir um grande número de obras de teologia, de moral, de história da Igreja para a confirmação da Igreja da Grécia na santa tradição dos Padres.  

Vivendo como um anjo que tivesse corpo e fazendo brilhar em volta de si os raios da luz incriada da graça, o bem-aventurado teve ainda que sofrer calúnias e injustas acusações sobre seu monastério por parte dos membros da hierarquia.  Estas últimas provações suportou-as com a paciência de Cristo:  sem murmúrio nem revolta.  Foi então que São Nectário foi atingido por uma doença dolorosa por mais de um ano e meio.  Dava graças a Deus por prová-lo desta maneira e esforçou-se por manter em segredo seu mal até o momento que precedeu a sua morte. 

Após uma última peregrinação ao ícone da Mãe de Deus, não muito longe do monastério, anunciou a suas discípulas sua breve partida para o céu.  Foi então, transferido para um hospital em Atenas, onde, depois de cinquenta dias de sofrimento, suportados com uma paciência que edificava todos os que se aproximavam dele, entregou em paz sua alma a Deus ( 8/22 de novembro de 1920).  Os fiéis de Egina, seus discípulos e todos os cristãos que o haviam conhecido choraram a perda do doce e compassivo discípulo de Cristo que durante toda a vida havia suportado calúnias, perseguições e acusações injustas tendo por modelo a divina Paixão de seu Mestre.  Mas Deus deu-lhe glória e, desde seu repouso no Senhor, os milagres abundaram e abundam ainda hoje quotidianamente para aquele que se aproximam com fé de suas relíquias ou que confiam em sua poderosa intercessão.

O corpo de São Nectário permaneceu miraculosamente intacto durante mais de 20 anos, exalando um perfume celeste e delicado.  Em 1953, quando, segundo as leis da natureza, o corpo desfez-se, procedeu-se à transladação de suas relíquias e pôde-se constatar, então, que o mesmo perfume exalava poderosamente, e continuou a exalar de maneira a assegurar aos fiéis que se aproximam de seus preciosos restos mortais de que São Nectário encontrou seu lugar junto de Deus, na morada dos Santos.  Seu culto foi oficialmente reconhecido em 1961 e o relato de seus milagres não para de ser escrito a cada dia.  Seu túmulo em Egina tornou-se uma das peregrinações mais concorridas na Grécia.

Segue um video com o Tropário e Kondakion de São Nectário, em inglês e melodia bizantina:

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