Ecologia & Teologia

Sua Santidade Bartolomeos I
O 'Patriarca Verde'

A degradação Pôr-do-sol
“No curso dos três decênios, o mundo foi testemunha de uma degradação ecológica alarmante, uma falha crescente na mise en oeuvre das medidas meio-ambientais e uma lacuna sempre gradativa entre os ricos e os pobres (...) A resposta para estes problemas urgem não somente num plano político ou econômico. Eis uma questão fundamentalmente de ordem espiritual e moral (...)”

Compromisso espiritual
Nossa profunda convicção é de que a espiritualidade e a ética, quando desengatam do mundo criado que nos é exterior, também provém do mistério interior. A teologia e a Igreja devem atacar nas raízes do problema ecológico, o que exige por vezes compaixão e sacrifício, cessar de ignorar os pobres que são o reflexo mais manifesto do próprio Ser de Deus (...), trata-se de discernir nossa vocação ao serviço da missão da Igreja no futuro. Por laços misteriosos que não compreendemos sempre (e que por vezes escolhemos ignorar), a terra nos chama à nossa vocação em sermos humildes e sensíveis. Seremos julgados pela ternura e a delicadeza que demonstramos para com a natureza, pois elas refletem a maneira com a qual oramos a Deus e tratamos os seres humanos.

A humilde Terra
A via da humildade é a de andar com leveza e doçura. É a humildade que nos religa uns aos outros, enquanto o orgulho nos separa uns dos outros e da Terra. Esta tem a humildade e o poder de nos curar a todos, se somente a permitíssemos sobreviver (...) Nosso pecado reside em nossa recusa obstinada, enquanto seres humanos, em receber o mundo como um dom de reconciliação com o planeta e como um sacramento de comunhão com o resto da humanidade. Assim, a crise que estamos confrontando concerne menos o próprio meio-ambiente do que a maneira com a qual nos deparamos e imaginamos o mundo (...) Tratamos nosso planeta de forma inumana e ímpia, simplesmente pelo fato de recusarmos considerá-lo como um dom recebido em herança.

A beleza da Criação
Antes de poder começar a agir de maneira responsável, somos chamados a permanecer pacíficos e a ver a maravilha de Deus na beleza da criação. Os teólogos muito geralmente buscam respostas metafísicas aos problemas contemporâneos. A verdade é que temos necessidade de mais de poesia na teologia e na Igreja. Devemos aprender a discernir a faísca divina em todas as coisas. Lembremo-nos das palavras do Salmista: “Tudo que respira canta o louvor do Senhor”. “Tudo está repleto da vida do Espírito. O mundo inteiro é uma sarça ardente de energias divinas” (São Gregório Palamas).

O sentido litúrgico
Dois místicos do VII século descrevem com eloquência esta relação entre a natureza, a humanidade e Deus em termos de liturgia e de misericórdia. São Máximo o Confessor falava de celebrar uma ‘liturgia cósmica’, sendo o mundo, a seus olhos, um altar magnífico sobre o qual os humanos rendem glória e ação de graças. E Abba Isaac o Sírio escrevia sobre a necessidade ‘de adquirir um coração misericordioso, queimando de amor pelo pleroma da criação: os humanos, os pássaros, as feras dos campos’.

Se somos somente culpados de um gasto assustador em nosso mundo, é porque parece que perdemos o sentido da Liturgia , desta espiritualidade e compaixão. Temos a obrigação moral de redescobrir esta aproximação: ‘no mundo’, ‘do mundo’ e ‘para vida do mundo’ (...)

Cadernos de Saint-Lambert, Primavera 2009, p. 64
Mensagem de Abertura do Colóquio “O futuro da terra” – Paris, jan. 2009
pelo Patriarca Ecumênico Bartolomeos

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