segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Cristo abandonou a Europa

Patriarca Kirill de Moscou e Toda Rússia

De uma fortaleza do Cristianismo, a Europa se tornou uma locomotiva destruindo a fé, declarou o Patriarca Kirill de Moscou e Toda Rússia por ocasião de sua estadia no seio da Igreja Ortodoxa Sérvia (14-16 novembro).

Recebendo um título de Doutorado Honoris Causa na Universidade de Belgrado, o Patriarca Kirill puxou o dispositivo de alarme sobre a rápida descristianização da sociedade europeia que “renunciou aos valores cristãos fundamentais em sua vida e suas atividades”. Ele citou o célebre Santo sérvio do XX século, Nikolai Velimirovitch cujas palavras se expressam da seguinte maneira: “Cristo abandonou a Europa”. “Hoje, tempo em que o processo de secularização, o rejeitar da verdade absoluta, a eliminação do conceito de pecado da consciência pública atinge dimensões sem precedentes, apocalípticas, lamentamos constatar que muitas Igrejas europeias abandonaram realmente sua identidade cristã”, declarou o Primaz da Igreja Ortodoxa Russa. O reconhecimento do casamento homossexual, da eutanásia a um nível legislativo e o crescente número de abortos indicam que a Europa, outrora uma fortaleza do Cristianismo, “tornou-se uma locomotiva de processo destrutivos”.

Em sua conversa com o Presidente Sr. Tomislav Nikolitch, o Primaz da Igreja Ortodoxa Russa advertiu contra as tentativas de manipular a história. “A história não pode ser reescrita, ainda que na Sérvia, na antiga Iugoslávia e na antiga União Soviética o tentem fazer. Por vezes, assim ensinam as crianças segundo os manuais “ajustados”, esperando que haja uma nova geração que esquecerá as páginas da história que põem em situação desfavorável em relação a desafios políticos atuais”, acrescentou. Tal linha de conduta é “uma falta grave”, disse ainda o Patriarca, sublinhando que “os fatos históricos não podem ser erradicados da memória do povo, mesmo se quiséssemos reescrevê-los”.

O Patriarca Kirill exprimiu igualmente sua preocupação para com a violação de direitos da população sérvio do Kossovo. “Os sérvios devem viver livres no Kossovo & Metóquia. Ninguém deve os ameaçar, ninguém tem o direito de destruir seus monumentos, suas igrejas e seus monastérios. Ninguém pode dificultar seus movimentos e possibilidades de permanecer em contato permanente com suas famílias”. A Igreja Ortodoxa Russa “apoia o povo sérvio no que concerne seu conceito da problemática do Kossovo”, concluiu Sua Santidade, chamando o Kossovo de “centro espiritual do povo sérvio e de sua Igreja”.


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