sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Ponto de vista acerca do Matrimônio


O escritor católico conservador John Zmirak diz que o Papa Francisco e seus aliados em Roma estão brincando com fogo em suas tentativas para liberar a prática católica sobre o fato de divorciados católicos receberem a Santa Comunhão.

Se o Papa permite casais divorciados que vivem então uma vida extramarital receber a Santa Comunhão sem arrependimento e promessa de celibato, estará sancionando uma dentre duas coisas: o adultério e a poligamia. O matrimônio é, segundo a ordem de Cristo, indissolúvel. Isto foi ensinado infalivelmente pelo Concílio de Trento. Se o Papa condena esta doutrina, se ele remodela um dos sete sacramentos de forma tão radical, estará provando algo que os Ortodoxos dizem desde 1870: que ele não e infalível em matéria de fé e morais.

Isto pode não soar com um enorme sacrifício, a Igreja lidou-se bem sem esta doutrina até o Vaticano I. No entanto, desprezando o Concílio de Trento e provando assim que Vaticano I foi de fato um erro, o Papa pode estar fazendo muito mais. Ele pode estar demonstrando que tais Concílios estão faltando autoridade divina – que não eram como Nicéia ou Calcedônia, os antigos Concílios que edificaram a doutrina. Em vez de Concílios tais como o de Latra, Trento e Vaticano I e II podiam ser meramente sínodos ocidentais locais, exatamente como o ortodoxo esteve insistindo até 1054. Em outras palavras, o Papa pode estar provando que asserções católico-romanas da autoridade do Papa são grosseiramente exageradas e que a Ortodoxia Oriental tem o melhor argumento dentre os herdeiros dos doze Apóstolos.

Existe uma ironia ai, desde os Ortodoxos terem permitido o quase-poligamo “Kasper opção” por mais de 1000 anos. Mas os ortodoxos não fazem nenhuma pretensão em empunhar uma autoridade infalível. Eles aceitam os primeiros Concílios da Igreja (o que ocorreu bem antes de 1054) e discutem entre si sobre como aplicá-los. Eles poderiam estar errados.

A respeito do matrimônio, os Ortodoxos estão errados. Mas Roma não tem essa margem de manobra. As reivindicações do papado são corajosas, expansiva - e empiricamente falsificável. Se Roma adota a prática ortodoxa de matrimônio, que irá falsificá-la. O rato terá morrido no labirinto.

Se isso acontecer, não provaria que Lutero ou Calvino estavam certos. Pelo contrário, iria mostrar que as afirmações papais são falsas, que Deus não deixou a Igreja com uma autoridade central para a interpretação da doutrina, e que o modelo ortodoxo é a única opção viável para os cristãos sacramentais.

Leia a coisa toda. Estou curioso para saber o que os leitores católicos e ortodoxos teologicamente informados acham das alegações de Zmirak. Note que ele não está dizendo que o cristianismo ortodoxo é certo e o cristianismo católico errado. Está somente afirmando que se o Papa altera a prática pastoral sobre o Matrimônio e a Santa Comunhão, estará assim negando os ensinamentos anteriormente autorizados pela Igreja Romana, colocando Roma no mesmo nível que a Ortodoxia.

 fonte: Pravoslavie.ru

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