sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Entrevista do Patriarca de Antioquia ao jornal grego "To Vima"

Patriarca de Antioquia
João X Yazigi

- Vossa Beatitude, o senhor vem da região mais difícil do mundo atualmente. Qual é a situação dos cristãos no Oriente Médio?

- Primeiramente, gostaria de exprimir todo amor, a alegria e a honra que ressinto na Grécia. Nós, no Patriarcado de Antioquia e em todas as regiões, na Síria, no Líbano, no Iraque e nas localidades próximas gostamos muito, como sabem, da Grécia, do povo grego e gostaríamos de lhes desejar o que de melhor. Para nós, a Grécia é um país amado. Quanto a nós, vivemos em circunstâncias particularmente difíceis. Sobretudo na Síria onde igrejas, mesquitas e monastérios foram destruídos. No entanto, nossos fiéis, os cristãos ortodoxos ainda permanecem por lá. Ai vivem ainda. Somos aproximadamente 1,5 milhões de cristãos na Síria, onde vivemos em todas as cidades. Ai vivemos normalmente apesar de todas as dificuldades. Suportamos tudo isto e esperamos que esta nuvem seja logo dissipada.


- Há dois anos, representantes do Patriarcado de Antioquia declararam que os djihadistas não têm relação alguma com a tradição do Islão no Oriente Médio, muitos receberam tal posição com surpresa ...

- (O djihadismo) é um espírito estrangeiro, não mais existe tal espírito na Síria, nem no Líbano. Este fenômeno infelizmente veio do exterior e alguns grandes poderes são ofensivos. Tal fenômeno extremista que chegou até o ponto de um matar o outro em nome de Deus nunca existiu. Quem o aceita? Ninguém? Nem mesmo os muçulmanos.


- Os muçulmanos têm problemas?

- Todos têm. A Síria e o Líbano têm. Todos os habitantes. Todos os autochtonas, cristãos e muçulmanos. E nós, enquanto Patriarca, saiba, dizemos sempre que somos originários destas regiões, que nascemos lá. Lá viviam nossos pais, avós. Estávamos lá antes do Islão, durante e depois, e temos as melhores relações com os muçulmanos autochtonas. Dizemos sempre que temos uma história em comum e que o futuro é comum para todos nós, o que um sofre, o outro sofrerá igualmente. Assim, sublinhamos que pertencemos todos à mesma pátria. Temos todos os mesmos direitos, cristãos como muçulmanos. E saibam que na Síria, as festas cristãs, Páscoa e Natal são festas oficiais... Mas estes homens (djihadistas) são fanáticos, constituem um corpo estranho. Nós, enquanto Patriarcado, dizemos a verdade. Interesses estão em jogo. Quando alguma coisa se produz com um soldado israelense o mundo inteiro se revolta, enquanto existem outras vítimas, e nos calamos...


- Vossa Beatitude, o senhor tem um irmão que ...

- Eu tenho meu irmão e tem também outro bispo, os dois residentes habitualmente em Allepo, quando foram tomados, há um ano e meio, e o mundo inteiro se cala. Não sabemos de nada – dizem eles. Estado algum não diz o que acontece, o que se sabe sobre esta história. Os traços dos dois bispos se perderam. E simultaneamente, todo mundo fala dos direitos do homem... onde estão os direitos do homem quando nos calamos? Quando não se diz nem mesmo uma palavra sobre este assunto? E alguns pensam que tal acontecimento fará com que nós cristãos fiquemos com medo porque nos tomam e fazem desaparecer nossos bispos e nossos sacerdotes, bem como membros das comunidades cristãs, que eles saibam que não nos assustam.


- Algumas monjas ortodoxas também foram tomadas...

- Depois de seis meses, foram libertas e retornaram ao monastério.


- O que elas vos disseram sobre o que viveram?

- Não dizemos estas coisas por agora. 
Constituem uma confissão de monjas a seu pastor.


- Beatitude, o que o senhor deseja, como vê o futuro dos cristãos?

- Temos sempre a esperança. Estamos de pé e fortes, apesar das provações. Não queremos que se repita o que aconteceu com o Iraque, onde os cristãos desaparecem pouco a pouco. De 1,5 milhão de cristãos, hoje são 300.000 no país.


- Compreendo que segundo o que o senhor disse no jornal “Vima” desejas uma mobilização para que sejam protegidos os cristãos no Oriente Médio e para que os dois bispos sejam salvos.

- Isto é a coisa principal que deve ser feita. Precisamos de ajuda e de apoio. Nossos dois hierarcas são apóstolos de paz e esperamos que seu estado de saúde esteja bom e que em breve se vejam libertados e possamos estar com eles.

Seguem algumas fotos da visita do Patriarca de Antioquia ao Santo Monastério de Vatopaidi na Santa Montanha do Athos.




Recepção calorosa pelo Abade Efrém de Vatopaidi



Venerando o Santo Evangelho

Recebendo um presente do Santo Monastério

Venerando as relíquias - Santa Túnica da Mãe de Deus

No Arhondariki com demais Hierarcas

No túmulo do Ancião José de Vatopaidi

Foto histórica com toda Fraternidade

Plantando uma árvore

Refeição Monástica

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