O Matrimônio na Igreja Ortodoxa




            Sabemos que o casamento é uma instituição estabelecida por Deus. É um “grande mistério”. Primeiramente, o casamento é um caminho de dores; a relação do homem com a mulher é chamado de “fardo comum”, o que quer dizer que os dois obram a mesma obra e levam juntos o mesmo fardo.

O casamento é um jornar em comum, uma porção dividida de dor e, é claro, de alegria também. Marido e mulher bebem do mesmo cálice na vida, tanto da tristeza como da realização. Durante a cerimônia do Matrimônio, o Padre dá a beber os noivos do mesmo cálice, porque juntos irão carregar a fardo do casamento. Somente aqueles que sofrem podem realmente amar. Vida em comum é cruz e o casamento é este estar em comum, e até na cruz!

Em segundo lugar, o casamento é um caminho de amor. Deus une 2 pessoas e as torna uma só. Desta união de 2 pessoas, as quais concordam em sincronizar seus andares e harmonizar o batimento de seus corações, surge um novo ser humano. O casal troca alianças a fim de demonstrarem que em todas as circunstâncias e mudanças da vida, permanecerão unidos. Cada um traz a aliança com o nome do outro escrito, que é colocada no dedo onde uma veia corre diretamente para o coração. O que quer dizer que o nome do outro está escrito no seu próprio coração. Ele dá o sangue de seu coração ao outro.

A mulher expressa o amor pelo seu marido através da obediência. Ela é obediente a ele tal como a Igreja o é a Cristo. A mulher é o coração (que ama). O homem a cabeça (que guia e protege). Vemos então que o casamento antes de tudo é uma jornada de dor, depois como uma jornada de amor e então como uma jornada ao Paraíso, um chamado de Deus.

A Sagrada Escritura diz que é um “grande mistério”, um mistério com o sinal da mística presença. O próprio Cristo diz “lá onde dois ou três estiverem em Meu Nome, Eu estarei no meio deles”- eis que então quando duas pessoas se casam em Nome de Cristo, tornam-se o sinal que traz e expressa o próprio Cristo. É esta a razão pela qual também coroas são colocadas em suas cabeças durante a celebração do matrimônio: porque o noivo e a noiva são a imagem de Cristo e da Igreja.

O acender das velas simboliza as virgens prudentes; ao entregar as velas aos recém-casados o Padre diz: Esperai pelo Cristo tal como as Virgens Prudentes.

As alianças permanecem no Altar durante a celebração até serem trazidas de lá, pelo Padre, o que marca que o Matrimônio tem o seu início em Cristo e também se termina em Cristo.

O Padre une (ata com uma faixa, segundo alguns costumes nacionais) também as mãos dos noivos, afim de mostrar que o próprio Cristo os une; é Cristo o coração do mistério e o centro de suas vidas.

Todos os elementos da cerimônia são sombras e símbolos que indicam a presença de Cristo. Ao veres o teu casamento, o teu marido, a tua mulher, os teus problemas em tua casa, em teu lar, saiba que tudo isso são sinais da presença de Cristo.

As coroas são também símbolos da presença de Cristo. Especificamente são símbolos de martírio. Marido e mulher poem coroas para mostrarem que estão prontos a se tornarem mártires por Cristo. São coroas também símbolo de realeza, e a partir de então marido e mulher são reis e rainhas, sua casa é o reino, o reino da Igreja, uma extensão da Igreja. Estas mesmas coroas ainda simbolizam a vitória final que será atingida no Reino do Paraíso.

Eis que o casamento é uma ponte guiando-nos da terra ao Paraíso. Antes e acima do amor, antes e acima de teu marido, de tua mulher, acima dos acontecimentos rotineiros, lembre-se de que estás destinado ao Paraíso e que se dispuseste a tomar a via que te levará desta vida, de qualquer maneira.

O esposo e a esposa dão as suas mãos um ao outro, e o Padre os toma os dois e os conduz em torno da mesa, dançando e cantando.

Casamento é o movimento, a progressão, a jornada que terminará no Paraíso, na eternidade. Nesta dança em torno da mesa, Cristo os tomou, os salvou, os redimiu e os fez Seus. E este é o grande mistério do casamento. Dizer que és casado corresponde a dizer que escravizaste o teu coração a Cristo. Na Igreja Ortodoxa dizer: “Eu sou casado” significa eu sou servidor e escravo de Cristo.

Deve ser muito estranho ler um texto acerca do casamento e/ou matrimônio escrito por um monge, que escolheu abdicar-se desta forma de vida. Deus no entanto é Quem nos dá o exemplo, Ele que é o Amor supremo. E este amor é a causa pela qual Ele decide Se fazer manifesto ao homem que havia criado – e até por este amor é que Ele cria o homem. O amor é a natureza da SS. Trindade -  Ela transborda em e de amor. É, então, neste prisma que penso poder afirmar que o amor é o mesmo, seja ele pelo seu companheiro(a) em uma vida familiar ou aquele que conduz o monge à santidade (amando e servindo a Cristo). O maior exemplo de amor é a Cruz que o Filho de Deus aceita subir e ser nela pregado pela nossa raça humana. Amor é sacrifício, combate, oferta, realização e plenitude. Amor é a marca do Evangelho. Amor é o Mandamento divino. Amor é a nossa Salvação. Amor é a vida eterna.


Por um monge

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