quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Mulheres


Alexandar Mien
            Foi Cristo que restituiu à mulher a dignidade humana que lhe fora tirada, o direito de ter exigências espirituais. A partir dele, o lugar da mulher não se limitou mais ao lar doméstico. Por isso, no grupo de Seus seguidores mais íntimos vemos muitas mulheres, principalmente galiléias. Os Evangelhos transmitem o nome de algumas delas: Maria Madalena, que Jesus curara de “sete demônios”, Salomé, mãe de João e Tiago, Maria de Cleófas, prima ou irmã de Jesus, Suzana e Joana, mulher de Cuza, procurador de Herodes Antipas. As mais ricas sustentavam a pequena comunidade com os seus bens, mas Jesus não queria que o papel delas se restringisse apenas a isso.

            Durante uma visita a Jerusalém, Jesus estreitou amizade com a família de um tal de Eleazar ou Lázaro, que vivia com as irmãs Marta e Maria em Betânia, pequena aldeia da periferia da capital. Jesus gostava muito da casa deles, e para lá se retirava frequentemente, quando queria descansar. Certa vez, estando com hóspedes, enquanto Maria, sentada aos pés do Mestre, O escutava. Ao ver isto, a irmã mais velha disse a Jesus.

-        Senhor, não Te importas que a minha irmã me tenha deixado sozinha a fazer todo o serviço? Diz-lhe que me venha ajudar.

-        Marta, Marta – disse-lhe Jesus – tu te preocupas e te agitas por muitas coisas. Mas uma coisa só é importante. E Maria escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada.

            Mais tarde, na hora da provação, as primeiras mulheres cristãs não  abandonarão Jesus, como os discípulos homens. Elas estarão com Ele no Gólgota no momento da morte, acompanharão Seu corpo até o lugar da sepultura, e é a elas que será revelado o mistério da ressurreição em primeiro lugar.

            Portanto, o Evangelho rompeu todas as barreiras que desde sempre dividiam os homens. Aos que respeitavam os ritos da antiga Lei, aos que nem os conheciam, aos judeus, aos estrangeiros, aos homens, às mulheres, o anúncio de Jesus abriu a todos o caminho para o Reino dos Céus, onde o fato de pertencer a determinada nação, classe social, sexo ou idade, não passa de secundário. Sobre este fenômeno, o apóstolo Paulo exclamaria: “Aqui não mais existe grego ou judeu, circunciso ou incircunciso, nativo ou estrangeiro, escravo ou livre... Cristo é tudo em todos”.


pelo Padre Aleksandаr Mien
do livro Jesus, Mestre de Nazaré - Editora Record


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